Como proteger sua carteira de ações de um colapso do mercado (aprenda a montar um seguro de carteira)

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Como proteger sua carteira de ações de um colapso do mercado (aprenda a montar um seguro de carteira)
Como proteger sua carteira de ações de um colapso do mercado (aprenda a montar um seguro de carteira)

O ano começou em festa para os investidores, o mercado financeiro comemorava a marca dos 100 mil pontos na bolsa brasileira, era um recorde atrás do outro!

Mas, logo veio a pandemia do coronavírus e todos os mercados mundo afora começaram a sofrer com a nova perspectiva da economia.

Na renda fixa, enquanto a curva de longo prazos dos títulos do tesouro continua elevada, a taxa selic batia uma nova mínima histórica pressionando os rendimentos dos ativos.

Momentos de crise fazem com que os investidores se perguntem, “como fazer para proteger meus investimentos ?”

Nesse artigo vamos apresentar a você algumas estratégias para montar o seguro da sua carteira e estar protegido no mercado financeiro.

Somente diversificar não vai te proteger do colapso financeiro

Todo investidor sabe a importância de diversificar seus investimentos, mas é preciso ter em mente que nem a carteira mais diversificada vai te proteger de um colapso do sistema.

Isso acontece, porque no mercado temos o que chamamos de risco sistêmico e risco não sistêmico.

Para que você entenda melhor, quando diversificamos nossa carteira de investimentos, seja ela qual for, estamos diminuindo o nosso risco não sistêmico.

Imagine que você invista apenas em uma empresa ou um único tipo de ativo financeiro. Quando essa empresa ou ativo tem um mal resultado, seus investimentos acompanham esse movimento integralmente.

Sendo assim, a diversificação entre empresas e ativos que não interagem diretamente entre si, fazem com que o risco não sistêmico da carteira seja menor.

Já para o risco sistêmico não a diversificação que resolva, isso ocorre porque o mercado como um todo sofre.

Alguns momentos da nossa história onde o risco sistêmico se fez sentir: Grande Depressão (1929), Crise do Subprime (2008) e mais recentemente a Pandemia do Covid-19 (2020).

Mantenha sua estratégia de investimentos em linha com o seu perfil de investidor

Não há nada pior do que estar exposto a altos riscos em um momento de colapso, sobretudo se você tem um perfil de maior aversão ao risco. 

Por isso, é sempre importante manter sua carteira de investimentos alinhada ao seu perfil de investidor.

Sempre que for necessário faça um rebalanceamento da sua carteira, assim  você evita oscilações maiores do que o você pode suportar e também as noites em claro preocupado com seus investimentos. 

Tenha dinheiro em caixa

São nos momento de crise, quando os preços dos ativos caem de forma generalizada, que surgem as melhores oportunidades de investimentos e para a aproveitar as “promoções” é preciso ter dinheiro em caixa. 

Ter dinheiro em caixa, nesse caso, se refere a investimentos com liquidez diária, onde é possível resgatar rapidamente e aproveitar as oportunidades. 

Das opções disponíveis para manter seu caixa com liquidez e com maior segurança a mais indicada é Tesouro Selic, mas você também pode optar por CDBs de liquidez diária (lembre-se de avaliar o risco de crédito das empresas emissoras).

Em um colapso, os mercados se tornam bastante voláteis, por isso é importante se ter sempre a opção de poder realizar operações de compra. 

Afinal, é nesse momento que você poderá comprar aquele ativo com rentabilidade atrativa ou ações daquela empresa que sempre quis por uma pechincha.

Esteja preparado

Investir em renda variável possibilita maiores ganhos, mas esse fator vem acompanhado de um risco maior, por isso é importante estar sempre preparado para momento de maior volatilidade. 

Se preparar para esse momentos te ajuda a evitar o pânico e a tomada de decisões erradas durante um colapso.

Além dos passos anteriormente sugeridos, você ainda tem opções um pouco mais sofisticadas para proteger seus ativos, o mercado de derivativos.

Vamos falar de uma ferramenta muito utilizada no mercado financeiro para montar o seguro da sua carteira, o hedge.

O que é Hedge

Hedge é uma estratégia importante no mundo dos investimentos, seu objetivo é diminuir o risco de uma carteira levando em conta as expectativas do mercado.

A palavra hedge é de origem inglesa e significa cobertura. No mercado financeiro, fazer hedge significa se proteger contra grandes variações nos preços.

Sua utilização é comum em ativos de renda variável, por isso se torna uma ferramenta importante para as estratégias de controle de risco.

Esse movimento garantia a compra e venda dos produtos a valores justos, mesmo que a bolsa de valores estivesse fortes movimentos de alta ou baixa durante o período.

Tipos de hedge

Para proteger a sua carteira, você pode usar principalmente o mercado de derivativos onde o hedge ocorre por meio de aplicações nos segmentos de: 

Na prática, fazer o hedge da sua carteira consiste em nada mais que usar dos quatro mecanismos acima e incorporá-los nas estratégias a seguir.

As estratégias abaixo tanto valem para investidores pessoas físicas quanto para investidores institucionais, sempre levando em conta os custos das operações, o patrimônio aplicado e o nível de conhecimento do investidor.

Hedge em ações

O hedge em ações é a forma que os investidores têm de se proteger da volatilidade dos papéis na Bolsa de Valores.

O investidor precisará operar no Mercado de Opções para poder defender a sua carteira de uma queda expressiva. 

A única forma efetiva de proteger sua carteira de ações contra um colapso do mercado, ou seja, contra o risco sistêmico, é através da compra de opções de venda, as chamada PUTs.

As puts funcionam como um seguro de carteira. Esse seguro trabalhar de forma similar ao seguro do seu carro.

No seguro do carro, você compra o direito de vender seu carro para a seguradora por um preço pré-determinado no caso de acontecer um sinistro.

Já no seguro de da sua carteira, você paga um valor (o prêmio) para ter direito a receber um valor bem maior caso aconteça uma queda brusca no mercado.

Apesar de ser uma proteção interessante, seus custos de transação podem ser elevados dependendo da quantidade de investimentos em sua carteiras de ações, tornando o processo inviável economicamente.

Hedge natural

O hedge natural consiste no uso de ações ou ETF’s que levam em consideração o valor da moedas estrangeiras em sua precificação.

Para tanto, parte de seus investimentos precisam estar alocados em empresas que têm suas receitas atreladas ao dólar ou então você precisa de ETF’s que sofrem os efeitos da valorização da moeda estrangeira como é ocaso do IVVB11.

IVVB11 é um fundo de índice tem por objetivo replicar a performance do Standard & Poor’s 500 (S&P 500). Já como exemplos de empresas dolarizadas temos o setor de frigoríficos, papel e celulose e mineração.

Hedge cambial

O hedge cambial é muito utilizado por instituições que têm suas receitas ou despesas atreladas ao dólar, a ideia aqui é reduzindo suas exposições à variação do câmbio, para tanto se utilizado o mercado de Swap.

Se você é investidor pessoa física que pretende usar seus investimentos para planos de viagens ou estudar no exterior, o hedge cambial também é indicado para você.

Vamos supor que sua família pretenda viajar para os EUA. A melhor forma de garantir o sucesso da viagem é atrelando suas economias a variação do dólar, assim quando chegar a hora de embarcar no avião, você não terá surpresas quanto ao valor da taxa de câmbio.

Hedge no Mercado Futuro e no Mercado a Termo

Existem investidores que utilizando do Mercado Futuro e do Mercado a Termo como forma de proteger seus investimentos, ainda que menos usualmente.

Tomemos como exemplos os produtores que compram ou lançam contratos com os preços desejados para venda ou compra de seus produtos em datas futuras.

Por meio dessa ferramenta, os produtores consegue estimar seus ganhos trazendo mais segurança para os investimentos.

Mas não são apenas os produtores que utilizam desses dois mercados para se proteger, mesmo não sendo um produtor você pode negociar esses contratos na B3.

O investidor deve ter em mente que vender índice ou ações a descoberta não funciona como proteção. 

Observe que, ao vender índice na mesma proporção da sua carteira de ações você não sofre os efeitos das quedas mas também anula seu ganho na alta.

Qual o melhor momento para montar um seguro de carteira?

Quanto mais cedo você pensar em adotar mecanismos para proteger sua carteira melhor.

Acontece que, se você entrou no cenário de instabilidade sem nenhum tipo de proteção, o mercado cobrará mais caro para que você monte seu seguro “as presas”. 

Por isso, o momento mais oportuno é quando a volatilidade estiver em baixa, dado que a volatilidade alta estará diretamente associada ao custo da montagem de seu seguro de proteção.

Na prática: Protegendo sua carteira de ações comprando PUTs de BOVA11

Como vimos anteriormente, é possível utilizar do mercado de opções para defender sua carteira, para tanto utilizaremos o ETF BOVA11.

O primeiro passo é escolher o preço de exercício (strike). Para tornar o seguro menos custoso, opte por uma put fora do dinheiro (out of the money).

Segundo Mark Spitznagel, deve-se deduzir 15%, para tanto observou-se o mercado norte americano.

Com o BOVA11 a R$200,00, o strike da put de ver se R$160,00. Observa que você estará limitando suas perdas ao valor máximo de 15%.

Suponhamos que sua carteira de ações seja no valor de R$ 200 mil. Você deverá comprar 1000 opções de PUT de BOVA11 para realizar seu hedge. Com um valor de prêmio a R$0,07 por unidade você gastaria R$ 70,00 mais taxas.

Caso o mercado passe novamente por uma forte instabilidade e o BOVA11 sofra uma redução de 30%, essa opção que comprou a 7 centavos valerá no vencimento no mínimo R$ 160 – R$ 140 = R$ 20. 

O retorno neste caso é de aproximadamente 285 vezes o valor do custo para realizar o hedge. Com um custo de R$ 70,00 mais taxas você obteve 20 mil reais.

Observe que os valores acima são representações didáticas para exemplificar a forma de se realizar a operação.

Na prática: Protegendo sua carteira de ações comprando PUTs de EWZ nos Estados Unidos

O EWZ conhecido como Ibovespa dolarizado, permite aos investidores comprarem as ações brasileiras negociadas fora do país, especificamente nos Estados Unidos.

Para tanto é necessário que o investidor abra uma conta em uma corretora estrangeira e que esta tenha a opção do investidor operar opções por ela, dado que algumas delas só é permitido operar ações e ETFs.

Suponhamos que sua carteira de ações no Brasil valha R$100 mil. O EWZ está cotado a US$50 e o câmbio estava está US$1/ R$5,10.

Então, para proteger a carteira precisamos de R$100 mil / (US$ 30 * R$ 5,10) = 653 opções

No mercado americano você só pode comprar contratos fechados contendo 100 unidades. Então, precisaremos comprar 7 contratos de opção (700 opções).

Vamos comprar uma put com Strike US$ 25,5 (cerca de 15% abaixo do preço atual). O prêmio dessa put é de US$2 mais taxas.

Então gastamos 7 * 100 * 0,8 = US$ 560,00 = R$2856,00 reais para realizarmos a nosso proteção.

A vantagem neste caso é que você estará agregando ao seu hegde a variação cambial, além de o mercado norte americano possui opções de vencimentos longos com maior liquidez quando comparado ao mercado brasileiro.

Novamente, observe que os valores acima são representações didáticas para exemplificar a forma de se realizar a operação.

Você pode estar utilizando outros índices além do EWZ, mas lembre-se que estes estarão absorvendo para sua proteção de hedge não apenas a variação cambial mas também o mercado ao qual o índice responde.

Conclusão

O mercado financeiro está sempre sujeito a momentos de grandes oscilações, por isso é sempre importante estar preparado. 

Ao adotar um modelo mais seguro mais elaborado de investimentos você consegue se proteger em momento de colapso, como o causado pela pandemia do Coronavírus em 2020.

Além disso, quando você possui um plano de investimentos mais robusto pode aproveitar as melhores oportunidades geradas em cenários de maior incerteza e volatilidade no mercado. 

Algumas medidas de proteção são bem simples e podem ser aplicadas com um bom planejamento, mas existem outras opções de proteção mais sofisticadas e complexas geradas a partir do mercado de derivativos. 

Para aproveitar o máximo potencial dos investimentos e descobrir as melhores maneiras de proteger seu portfólio você pode conversar com um assessor de investiementos

Esse profissional, especializado em investimentos e produtos financeiros, vai te ajudar a identificar os melhores produtos não somente para rentabilizar seu capital, mas também para ajudar te proteger sua carteira de um colapso no mercado financeiro.