As bolhas financeiras na Bolsa de Valores ocorrem quando o valor de um ativo (ou conjunto de ativos) se desvia fortemente do seu valor intrínseco. 

Esse movimento ocorre de forma persistente, e cada vez mais acentuada por um determinado período de tempo.

Depois desse primeiro momento, o valor agregado ao longo desse período despenca de forma abrupta, essa é a fase em que a bolha estoura..

Podemos dizer que em uma bolha financeira os preços dos ativos parecem se basear em uma visão distorcida ou inconsistente sobre o futuro.

Vamos aprender passo a passo como se dá o processo da criação de uma bolha até o momento em que ela estoura.

Como funcionam as bolhas financeiras

Uma bolha financeira é uma situação na qual os preços dos ativos se deslocam fortemente do ser valor, e passam a ser negociados por valores muito maiores do que realmente vale. 

Essas situações ocorrem sobretudo por conta do efeito manada, quando as pessoas passam a seguir os atos umas das outras, sem levar em conta a racionalidade por detrás dos movimentos. 

As bolhas financeiras, portanto, se iniciam a partir de compras exacerbadas de um determinado tipo de ativo o que aumenta a demanda e consequente eleva os preços.

Numa bolha isso acontece diversas vezes, gerando um ciclo vicioso. 

O uso da palavra “bolha”, portanto, ilustra a percepção de que os preços vão inflando cada vez mais caracterizando um movimento agressivo.

Por fim, quando já não é mais possível inflar a bolha e nem desinfla-la gradualmente. Ocorre o chamado “estouro”, onde os preços começam a despencar de forma vertiginosa.

Esse movimento exagerado gera um certo pânico no mercado, o que faz com as pessoas comecem a vender ainda mais rápido seus ativos por preços bem menores do que aqueles que pagaram na compra. 

É nesse momento em que muitos investidores perdem dinheiro, sobretudo os investidores comuns. 

Fases de uma bolha financeira

A dinâmica de uma bolha parece simples, primeiro ocorre um aumento exagerado dos preços e depois o nível de vendas aumenta fazendo com o preço despenque. 

Porém, todo o ciclo de uma bolha financeira pode ser um pouco mais complexo do isso. Para ficar mais fácil de compreender, vamos dividir todo o fenômeno de uma bolha em cinco fases, a saber:

  •  Novo paradigma;
  •  Boom;
  •  Euforia;
  •  Tomada de Lucro;
  •  Pânico;

Primeira fase: O novo paradigma

O processo de novo paradigma ocorre quando um deslocamento acontece, é o momento em que os investidores ficam deslumbrados pelo ativo, empresa, setor, ideia ou algum acontecimento inovador. 

Para exemplificar temos a euforia com a inovação das criptomoedas, os sites de relacionamento cada vez mais interativos, aplicativos telefônicos, entre outros.

Vale ressaltar que o novo paradigma também pode advir de fatores externos como guerras, uma nova lei, uma pandemia, ou mudanças climáticas.

Segunda Fase: Boom

Boooom! Momento no qual aquele objeto se torna o mais desejável possível. 

O preço que inicialmente subia vagarosamente agora se torna cada vez mais parecido com uma função exponencial.

O medo de ficar de fora do “negócio da china” começa a tomar conta dos investidores, que trazem consigo cada vez mais especulação ao mercado.

Terceira fase: Euforia

É onde a curva exponencial se concretiza e a percepção de que essa é a jogada pela qual você esperou por toda sua vida.

Nesse momento (ou mais perto do final dele) começam a aparecer na mídia estudos e entrevistas alarmistas a respeito do assunto.

Esses argumentos são tratados muita vezes com deboche ou sofrem fortes críticas, por parecerem ser contra a tecnologia, ideia ou o simples fato de que todos podem se beneficiar desse momento.  

A distorção de preços é característica dessa fase:

  • A primeira bolha ocorreu em 1634 na Holanda, onde os derivativos provenientes das Tulipas chegou a custar mais do que uma casa.
  • No auge da bolha imobiliária japonesa (1989), um lote de terras em Tokyo era vendido por até 350 vezes o valor das terras negociadas em Nova Iorque.
  • Nos anos 2000,  auge da euforia da bolha da internet, o valor das ações de tecnologia da Nasdaq era maior que o PIB de várias nações do mundo.

Quarta Fase: Tomada de lucro

A quarta fase se desenrola quando um grande player – geralmente uma instituição que tem acesso a um maior fluxo de informação – percebe alguma instabilidade ou descompasso do mercado em relação ao ativo.

Esse agente começa a se desfazer de suas posições e realizar lucros, de tal forma que, em um primeiro momento, essa movimentação se passa despercebida por grande parte do mercado, mas não por outros players igualmente grandes. 

Apesar de ser facilmente definido, o exato momento do estouro de uma bolha é extremamente difícil de ser percebido.

Um indício de uma possível crise que iria se concretizar no mercado de subprimes ocorreu quando em agosto de 2007.

Um banco francês impediu os saques de três fundos de investimentos por não conseguia calcular o valor desses ativos.

O fato passou despercebido pelo mercado, uma vez que, os preço dos ativos continuou a subir no curto prazo. Meses depois a economia entrou em uma crise financeira.

Quinta fase: O pânico

Por mais rápido que uma bolha possa ser inflada, nada se compara a velocidade com que essa estoura.

Já no momento de pânico, onde se tornou claro para o mercado que tudo se tratava de uma bolha, o preço dos ativos despencam de forma imprevisível.

Um dos motivos é que os investidores e especuladores são obrigados a liquidar suas posições, a qualquer custo, o que derrubando cada vez mais o mercado.

Gerando um ciclo vicioso. 

Na crise de 2008, o índice das 500 maiores empresas americanas (S&P 500), caiu cerca de 17% apenas no mês de outubro, ocasionando um prejuízo de $9,3 trilhões, 22% de toda a capitalização das ações mundiais.

É possível prever quando será a próxima bolha financeira?

Quando olhamos os dados das bolhas das quais já vivenciamos, percebemos com certo grau de clareza o que aconteceu.

Mas não se iluda, fazer esse exercício no mesmo tempo em que os fatos estão se desenrolando é de uma alta complexidade.

Qualquer investidor sério precisa estar ciente de que não é possível acertar o ponto de reviravolta do mercado, então deve-se adotar estratégias para diminuir os riscos.

Uma das recomendações é ajustar o nível de risco da sua carteira de investimentos, mantendo a proporção ideal da composição, para que, com isso, seja possível preservar o seu patrimônio e suas noites de sono.

2020 é uma bolha financeira?

2020 é uma bolha? Essa é uma pergunta que muitos investidores têm feito. Sobretudo diante da forte valorização da Bolsa em 2019

Verdade seja dita, nos últimos anos as bolsas de todo o mundo têm se valorizando quase que de forma ininterrupta, inundando os mercados de positividade.

Mas precisamos entender que a queda vivenciada no primeiro semestre de 2020 advém de um impacto exógeno, a pandemia.

Os fundamentos das empresas que não tinham sofrido qualquer alteração relevante até aquele momento que justificasse as quedas, agora vem se modificando em decorrência da menor demanda e da quarentena vivenciada em todo o mundo.

A bolsa brasileira tem caminhado em torno dos 70 e 80 mil pontos na penúltima semana de abril, distante dos 120 mil pontos do início do ano.

Se você acredita a economia voltará ao que era antes então temos ativos a um preço descontado com boas perspectivas de retorno.

Caso contrário, se você crer que a ordenação mundial das cadeias produtivas sofreram alterações, então temos ativos à preço justos, e um futuro incerto pela frente.