Fundos de Renda Fixa: O Que São e Como Funcionam?

Fundos de Renda Fixa: O Que São e Como Funcionam?

By Tatiana Mallmann

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Fundos de Renda Fixa: o que são e como funcionam?

Em tempos de crise, é muito comum que investidores privilegiem aplicações em fundos de renda fixa, que são mais seguros e previsíveis. No entanto, é preciso saber como funcionam esses fundos e quais são os principais à disposição de investidores no mercado. Pensando nisso, preparamos algumas dicas que podem esclarecer as dúvidas mais comuns sobre esse tema. Confira.

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O que são Fundos de Renda Fixa

Inicialmente, devemos esclarecer que fundos de renda fixa são uma categoria de fundos de investimento. Diferente de outros fundos, estes têm um percentual (80%, em geral) pré-determinado de investimentos em aplicações de renda fixa (títulos do tesouro, CDB pré-fixado, entre outros). Essa característica faz com que seus rendimentos sejam mais previsíveis e constantes, normalmente acompanhando as taxas de juros do mercado (como a Selic, por exemplo), ou os principais índices de inflação.

Quando se aplica dinheiro nesse fundo, o investidor adquire uma “quota”. Em conjunto, todas as aplicações são destinadas a diversos tipos de investimento, com o objetivo de maximizar os rendimentos, ainda que com mais previsibilidade.

Quais são as vantagens dos fundos de renda fixa?

Os fundos de renda fixa são bastante fáceis de investir e operar. O investimento inicial exigido geralmente é baixo, e todo o trabalho de seleção e compra dos ativos, que pode ser bem difícil para um investidor iniciante, fica a cargo do gestor.

Outra vantagem é a liquidez diária que muitos desses fundos oferecem. Em fundos com resgate em D+0 (a letra “D” significa dia e o número diz respeito aos dias úteis até você receber o dinheiro), é possível solicitar um resgate e receber o dinheiro investido de volta no mesmo dia. Isso torna esses fundos uma boa opção para a reserva de emergência.

Não se pode esquecer, também, que há fundos de renda fixa atrelados à inflação, que podem ser uma boa opção para quem quer proteger o poder de compra do dinheiro no longo prazo, visando a aposentadoria.

Quais as desvantagens dos fundos de renda fixa?

A operação de um fundo de renda fixa é bem mais simples que a de um fundo de ações ou um multimercado, que são fundos que exigem mais pesquisa, análise e desenvolvimento de estratégia. Por isso, a taxa de administração cobrada nos fundos de renda fixa pode ser menor.

Porém, isso não é o que acontece: grandes bancos geralmente cobram percentuais elevados, principalmente em fundos cujo investimento inicial exigido é baixo. E essa alta taxa de administração pode comprometer seriamente os rendimentos — em alguns casos, o fundo de renda fixa pode se sair até pior do que a poupança!

Outro aspecto que pode comprometer a rentabilidade é a alíquota semestral de Imposto de Renda, também chamada de “come-cotas”. Em outros produtos de renda fixa, a tributação ocorre apenas no momento do resgate, o que faz com que o dinheiro do imposto fique investido por mais tempo, rendendo mais.

Há também o risco de crédito: que se refere a chance de uma instituição financeira não conseguir cumprir com suas obrigações e falir. É importante ressaltar que bancos menores são mais arriscados neste sentido, pois a chance de não pagar suas dívidas é maior se comparada a um banco maior ou ao Governo Federal. No entanto, exatamente por apresentar relativa maior segurança e solidez, bancos grandes tendem a cobrar juros mais altos que são revertidos em altas taxas de administração e outros encargos. É interessante ficar atento se de fato compensa investir em uma instituição maior e ter rendimentos menores.

Além disso, é preciso lembrar que esse investimento não conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), como acontece ao se investir diretamente em CDBs, LCIs e LCAs. Ou seja, se a instituição financeira der calote, o investidor perde o dinheiro investido.

 

Como são classificados os fundos de renda fixa?

Nem todos os títulos de renda fixa são iguais. A maneira de calcular o rendimento varia entre os diferentes tipos disponíveis: existem títulos pós-fixados, prefixados e atrelados à inflação.

De acordo com a estratégia traçada e os ativos escolhidos em relação a ela, entre outros fatores, o fundo terá uma categoria diferente. Conheça as principais a seguir:

Simples

São fundos de renda fixa que investem pelo menos 95% do patrimônio líquido em títulos da dívida pública federal (Tesouro Nacional) ou títulos de mesmo risco de crédito. Além disso, divulgam suas informações e documentos preferencialmente por meios eletrônicos. Têm a denominação “Simples” em seu nome.

Indexados

Fundos de renda fixa que buscam acompanhar indicadores de referência do mercado de renda fixa, sejam de juros (como o CDI) ou de índices de inflação (IPCA; IGP-M). São classificados de acordo com o índice escolhido.

Gestão ativa

Os fundos de renda fixa de gestão ativa são aqueles que não se encaixam nas categorias anteriores.

Eles têm duas classificações independentes. Uma diz respeito à duração média ponderada da carteira e a outra, ao risco de crédito dos títulos.

A duração média ponderada da carteira define o quanto os títulos do fundo estão expostos a oscilações nas taxas de juros. As classificações são:

  • Duração baixa: fundos cuja duração média ponderada dos títulos da carteira é inferior a 21 dias, com pouca exposição a oscilações nas taxas de juros;
  • Duração média: fundos cuja duração média ponderada dos títulos da carteira é inferior ou igual à do IRF-M (índice da Anbima com base nos títulos públicos federais prefixados) apurada no último dia útil de junho; com exposição limitada a oscilações nas taxas de juros;
  • Duração alta: fundos cuja duração média ponderada dos títulos da carteira é igual ou superior à do IMA-GERAL (índice da Anbima com base em todos os títulos públicos federais) apurada no último dia útil de junho, com maior exposição às oscilações de taxas de juros futuros;
  • Duração livre: sem exigências de limites mínimos ou máximos para a duração da carteira.

O risco de crédito diz respeito à possibilidade do emissor do título de dívida não pagar seu compromisso. As classificações são:

  • Soberano: fundos em que 100% da carteira é composta por títulos públicos federais, que são os mais seguros disponíveis no mercado;
  • Grau de investimento: fundos em que, no mínimo, 80% da carteira é composta por títulos públicos federais ou títulos de grau de risco equivalente a eles;
  • Crédito livre: fundos que investem mais de 20% em ativos de médio e alto risco de crédito.

Como dissemos, as duas classificações são independentes. Um fundo pode ser classificado como Renda Fixa Duração Média Crédito Livre, enquanto outro pode estar na categoria Renda Fixa Duração Média Grau de Investimento, por exemplo.

E os fundos DI?

nova classificação da Anbima, que estamos seguindo aqui, excluiu a categoria própria dos fundos DI, produto cujo objetivo é acompanhar a taxa de juros do CDI. A grande maioria deles está enquadrada, agora, como Renda Fixa Duração Baixa Soberano ou Renda Fixa Duração Baixa Grau de Investimento.

Investimento no exterior

Existem duas categorias de fundo nessa categoria. São elas:

  • Investimento no Exterior: fundos que investem mais de 40% do patrimônio líquido em ativos financeiros no exterior;
  • Dívida Externa: mínimo de 80% do patrimônio líquido em títulos representativos da dívida externa.

Como investir em fundos de renda fixa?

Cada fundo de renda fixa tem sua regra específica de funcionamento, e é preciso verificar quais fundos mais se adequam a suas necessidades como investidor. Por exemplo, há aqueles que exigem um valor mínimo para adquirir cotas e outros que exigem que o cotista esteja vinculado, por meio de conta-corrente, a uma instituição financeira ou perfil de cliente.

 

Em meio ao ciclo de cortes na taxa básica de juros, os fundos de renda fixa que já vinham perdendo competitividade frente a poupança podem ficar menos atrativos com o corte de 0,5 ponto percentual na Selic anunciado nesta quarta-feira (6) pelo Banco Central.

O novo patamar da Selic veio em linha com a expectativa do mercado, com queda da taxa de 7,5% para 7% ao ano – no menor valor histórico. Neste cenário, os fundos de renda fixa perdem ainda mais competitividade frente às cadernetas de poupança.

Isso deve ocorrer, segundo a Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), principalmente nas aplicações de baixo valor em que esses fundos de investimento cobram taxas de administração mais elevadas.

A tabela abaixo mostra o rendimento líquido mensal dos fundos de renda fixa considerando a nova Selic de 7% ao ano, o imposto de renda de acordo com o prazo de resgate destas aplicações e as taxas de administração cobradas.

Veja as simulações:

fundo de renda fixa x poupança

Amarelo: poupança é melhor investimento
Vermelho: fundo é melhor investimento
Cinza: fundo e poupança têm o mesmo rendimento

Com a Selic em 7% ao ano, as contas da poupança passam a ter rendimento de 70% da Selic + TR, o que corresponde a um ganho mensal de 0,40%, e não sofre qualquer tributação.

Para os fundos de renda fixa foi considerado custo da taxa de administração cobrada pelos bancos entre 0,50% aa até 3% aa – padrão utilizado no sistema financeiro.

Conforme pode ser observado na tabela, com a Selic em 7% aa, a poupança já ganha dos fundos na maioria das situações. Quanto menor for o prazo de resgate da aplicação e maior for a taxa de administração cobrada pelo banco, maior será a vantagem da poupança frente aos fundos.

 

Fundo DI, CDB ou Tesouro Direto?


 

Conheça alguns dos principais fundos de renda fixa disponíveis no mercado

Alguns fundos de renda fixa disponíveis atualmente têm apresentado boas taxas de retorno a seus cotistas. Confira uma lista com alguns deles:

  • Porto Seguro FI Referenciado DI Crédito Privado: taxa de administração de 0,40%, investimento mínimo de R$ 20.000,00 e rendimento de 105% CDI ao ano.
  • Sul América Crédito Ativo FI Multimercado CP: taxa de administração de 0,60% ao ano, investimento mínimo de R$ 25.000,00 e rendimento de 104% CDI ao ano.
  • XP Referenciado FI Referenciado DI: taxa de administração de 0,25%, investimento mínimo de 3.000,00 e rendimento de 102% CDI ao ano.

Esses são apenas alguns exemplos de fundos de renda fixa no mercado. É possível encontrar vários outros em instituições financeiras. Aproveite para saber mais informações sobre fundos de investimento aqui!

 

Quando Investir em Fundos de Renda Fixa?

Quando o investidor aceita uma pequena parcela de risco em troca de um ganho acima do CDI, ele deve investir im tipo de Fundo Renda Fixa, em detrimento dos Fundos Referenciados DI.

O pequeno risco existente está atrelado ao crédito da empresa, ou seja, a parte do fundo destinada a ativos de crédito (entre 0% e 20% depende do fundo), que é dividida em títulos de crédito de diversas grandes empresas (mínimo 10), que podem em algum momento atrasar o pagamento de suas dívidas e prejudicar a rentabilidade do fundo.

Veja no gráfico como as rentabilidades são diversas, podendo existir fundos (em vermelho) que NÃO superam consistentemente o CDI (em preto), como fundos que conseguem superar o mesmo.

quando investir em fundos de renda fixa

 

Com essas informações em mãos, fica mais fácil aplicar em fundos de renda fixa. Você ainda tem dúvidas sobre como eles funcionam? Deixe aqui nos comentários suas perguntas! Participe!

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About the Author

Tatiana Mallmann, Co-Fundadora do Blog London Capital, formada em Administração de Empresas, ingressou no mercado financeiro em 2006, acumulando experiência em varejo, planejamento financeiro e seguros corporativos em instituições como Banco do Brasil e Confiança Companhia de Seguros. Especialista em planejamento financeiro, gestão de risco, proteção do ativo humano, blindagem de patrimônio e sucessão empresarial.